ProteĆna Spike
- Prof Geraldo Lima
- 29 de abr. de 2021
- 3 min de leitura

Covid-19: o protagonismo da ProteĆna Spike
Especialista explica a importĆ¢ncia dos testes que analisam anticorpos contra a proteĆna Spike e a relação disso com a vacina Os olhos de todos estĆ£o voltados nĆ£o apenas para o coronavĆrus em si, mas para sua estrutura viral e, mais especificamente, para a proteĆna Spike, uma das que compƵem o vĆrus Enquanto a Organização Mundial da SaĆŗde vĆŖ um aumento gradual no nĆŗmero de mortos por coronavĆrus no mundo, as pessoas de todas as regiƵes aguardam uma redução no tempo de espera pela chegada da vacina. Ela se tornou objeto de desejo em todos os paĆses. Ć a saĆda para a volta Ć normalidade, para a retomada da vida prĆ©-pandemia. Ć por isso que os olhos de todos estĆ£o voltados nĆ£o apenas para o coronavĆrus em si, mas para sua estrutura viral e, mais especificamente, para a proteĆna Spike, uma das que compƵem o vĆrus. De acordo com a infectologista Nancy Bellei, mestre e doutora em DoenƧas Infecciosas e ParasitĆ”rias pela Unifesp, o coronavĆrus Ć© composto pelas proteĆnas Envelope, Membrana, NucleocapsĆdeo (que envolve o RNA viral) e Spike. Essa Ćŗltima Ć© a responsĆ”vel pela entrada do vĆrus na nossa cĆ©lula, Ć© a que se acopla ao nosso receptor ACE2. Isso significa que os anticorpos produzidos contra ela sĆ£o capazes de impedir a entrada do coronavĆrus, neutralizando-o. Por isso, o seu protagonismo neste momento. āA proteĆna S se acopla ao ACE2 e sofre uma divisĆ£o para que haja a fusĆ£o da membrana viral com a cĆ©lula ou a endocitose. A partir disso, Ć© liberado o RNA que estĆ” no interior do vĆrusā, explica a mĆ©dica. Ela acrescenta que a proteĆna S tem um formato de cabeƧa de prego, com uma porção mais larga e outra mais estreita. A mais larga Ć© chamada de porção S1 e Ć© nela que estĆ” a parte que se liga ao receptor ACE2. āO domĆnio de ligação ao receptor (RBD) da proteĆna Spike foi identificado como alvo mais promissor para a eficĆ”cia da produção de vacinas, diferentemente dos anticorpos contra a proteĆna nucleocapsĆdeo, por exemplo, que nĆ£o se mostraram neutralizantesā, diz a Dra. Nancy. A grande expectativa Ć©, entĆ£o, que os estudiosos e fabricantes de vacinas foquem na proteĆna S para desenvolver o produto tĆ£o aguardado em todo o planeta. Foi com base nesses dados que a Beckman Coulter, multinacional que oferece soluƧƵes cientĆficas e laboratoriais inovadoras, trouxe ao Brasil o Access SARS-CoV-2 IgG. Diferentemente da maioria dos exames disponĆveis no paĆs, o ensaio da empresa que processa apenas a imunoglobulina G detecta anticorpos exatamente contra a proteĆna Spike e justamente contra a porção S1. āĆ provĆ”vel que os candidatos Ć vacinação, no futuro, precisem fazer o teste em algum momento para checar se desenvolveram esses anticorpos que chamamos de neutralizantes, e nĆ£o os convencionais. O nosso teste identifica os anticorpos produzidos contra a estrutura S1 da proteĆna Spike, que tĆŖm mostrado em diversos estudos clĆnicos serem os com maior potencial de serem neutralizantes. Portanto, o Access SARS-CoV-2 IgG pode ajudar nĆ£o somente a mapear indivĆduos que de fato jĆ” possuem anticorpos neutralizantes neste momento, mas tambĆ©m neste passo seguinte, na esperada vacinaçãoā, explica Daniela Putti, Head de Marketing da Beckman Coulter na AmĆ©rica Latina. AlĆ©m disso, o teste da multinacional tem especificidade maior, o que aumenta a chance de detectar resultados verdadeiramente negativos. Ele tambĆ©m nĆ£o demonstrou risco de reação cruzada e ainda apareceu com a melhor sensibilidade do mercado quando feito de 0 a 6 dias do inĆcio dos sintomas: 70,2%.
